18 jan

O carro desvaloriza, mas o valor do seguro aumenta. O movimento, que já surpreende segurados com frequência, tem a ver com letras miúdas do contrato, daquelas a que os clientes raramente atentam no momento da contratação. O reajuste geralmente fica em torno de 1,5% do valor do seguro, o que pode soar inexpressivo na porcentagem mas chega, às vezes, a R$ 300. “Muitas vezes, por causa de R$ 100, os clientes decidem por planos mais baratos. Portanto, reajustes dessa ordem fazem diferença sim”, diz Luciana Santana, diretora técnica da consultoria e assessoria em seguros LifeInsurance.

As diferenças entre as tabelas das diversas seguradoras, no que diz respeito à taxação do sinistro, é o que gera variações de preços enormes em casos específicos. O trabalho do corretor de seguros Cláudio Vinícius Paiva é justamente driblar esse comportamento do mercado, trocando uma seguradora por outra, evitando que os clientes paguem a mais. “Ao orçar seguros para determinados veículos, percebemos que os preços variam entre R$ 3,5 mil e R$ 15 mil. E estamos falando do mesmo carro – o que impacta a variação é simplesmente a maneira que aquela seguradora taxa o sinistro”, diz Paiva, referindo-se a orçamentos feitos na tarde dessa quarta-feira, com seis seguradoras diferentes, para uma Ford Ranger XLP cabine dupla Turbo Diesel 2012.

Fatores diversos influenciam esse preço, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras. A instituição lembra que a atuação das dezenas de seguradoras é livre quanto aos valores praticados junto ao consumidor – e a variação é sempre relativa ao risco. Os preços são ajustados de acordo com o veículo, o motorista, a região, entre várias outras variáveis. Quando a frequência de roubo e furto sobe em determinada região, o preço do seguro sobe, proporcionalmente.

O contrário também acontece, como destaca Luciana: “No Rio de Janeiro, nas regiões com favelas que tiveram atuação de unidades pacificadoras de policiamento (UPPs), com redução da violência e da estatística de roubos, os seguros ficaram mais baratos”. O volume de dados estatísticos considerados refletem mudanças comportamentais, que impactam, e muito, nos preços, segundo a consultora. Entre todas as variáveis, a que tem mais peso é a faixa etária do motorista – responde por 18% da variação, segundo ela.

A planilha leva em conta, contudo, outros tipos de relações – muitas vezes ocultas nas perguntas que são feitas no momento da contratação, para definição do perfil do segurado. Segundo Luciana, quando a seguradora quer saber, por exemplo, dados pessoais como números de filhos ou relações familiares, mapeia os parentes do usuário e, com isso, consegue taxar o risco e o valor que aquelas pessoas darão ao veículo: “Um jovem que acaba de ganhar um carro, com 18 anos, pode não dar a ele o mesmo valor que um outro que teve de trabalhar cinco anos para comprar um veículo”.

Por mais subjetivas que sejam, informações assim entram na planilha de cálculo, em sistemas computacionais que avaliam o risco e redefinem os valores dos seguros. Na percepção da consultora, ítens como “família”, inimagináveis há 15 anos, adquirem cada vez mais peso na avaliação final, a partir do impacto de novas estatísticas, atualizadas mensalmente. As seguradoras não admitem que o aumento da circulação de carros de luxo (que encarece as indenizações por danos a terceiros) pode impactar o reajuste.

Repasse

Quem vive o dia a dia desse mercado, contudo, sabe que o repasse pode ser prática inevitável – e não apenas para quem tem o prazer de ser o dono do carrão. “Se a empresa está indenizando mais, pagando mais caro nas indenizações, com reparos que cobram preços mais altos, é lógico que os seguros também sejam mais caros, porque o custo será claramente repassado para os clientes”, destaca Paiva, lembrando que o que as seguradoras fazem é administrar as verbas recolhidas dos clientes.

Outro item determinante para o aumento do valor de seguro mesmo com a depreciação do bem é justamente a dificuldade técnica em se encontrar peças para carros que começam a ficar antigos. “É por isso que as empresas, muitas vezes, se recusam a segurar carros com mais de 10 anos”, sustenta Luciana.

Para o gerente da Accord Administradora e Corretora de Seguros, Nilson Mendes Ferreira, o volume estatístico de clientes que tiveram os seguros reajustados mesmo com a redução do valor do carro ainda não é expressivo, e chama atenção para o contraponto, impulsionado justamente pelas tradicionais leis de oferta e procura: “São muitas as seguradoras que oferecem os seus serviços, e esse mercado inchado as leva à redução dos valores. Se aumenta, é porque realmente não havia mais onde cortar, porque hoje, com a competição, elas tentam segurar ao máximo o repasse de valores”.[2]

DPvat sem reajuste

O cogitado reajuste do seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) não se concretizou. O aumento foi considerado em agosto do ano passado, com o objetivo de aumentar a arrecadação de verbas para a saúde pública. Hoje, o valor é de R$ 101,16 para veículos pequenos e não varia entre os estados. O seguro gera fundo para o pagamento de indenizações a vítimas de acidentes de trânsito, em casos de morte e invalidez total ou parcial. Em caso de morte, o valor é de R$ 13,5 mil. Esse é o teto em caso de impossibilidade permanente, conforme o grau da invalidez. O reembolso de despesas médicas e hospitalares vai até R$ 2,7 mil.

Fonte: Segs.

Popularity: 1% [?]



About the Author: renato




Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>