28 mar

A catástrofe que atingiu o Japão no último dia 11 poderá elevar os preços das apólices de seguros que cobrem os grandes riscos, como obras de aeroportos, rodovias, ferrovias e propriedades industriais. Essa é a avaliação de alguns analistas de mercados que atuam nesse segmento. Segundo eles, o aumento teria por objetivo recompor as perdas que as grandes seguradoras e resseguradoras terão no Japão e, também, precificar eventos semelhantes no futuro. Estima-se que os aumentos nos preços de seguros em nível mundial poderão ficar, em média, entre 8% e 10%. Porém, quem está renovando as apólices neste início de ano já sentiu que o plano ficou mais caro, pelo menos para alguns modelos e marcas.


E a recomposição de receita das companhias, todas ligadas às multinacionais, irá atingir até o mato-grossense que tem como hábito fazer o seguro do seu automóvel. Outro fator negativo, que o segmento utiliza para justificar a alta, são as seguidas enchentes registradas no Sul e Sudeste do Brasil. Todos vão pagar essa conta.

O gerente do Sindicato dos Corretores de Seguro de Mato Grosso (Sincor), Edson Trombini, diz que ainda é cedo para falar em aumento nos preços das apólices. “Por enquanto, o que há neste momento são especulações em torno de um possível aumento devido à tragédia no Japão. Vamos esperar para ver como o mercado se comportará nos próximos dias”. Apesar da cautela de Trombini, pelos menos as perdas geradas com as enchentes já encarecem as apólices para cobertura dos automóveis. Alguns planos ficaram entre R$ 150 a R$ 200 mais caros em relação aos valores calculados no ano passado.

Em Mato Grosso, são 15 empresas atuando no mercado de seguros e cerca de 650 corretores, entre pessoas físicas e jurídicas. “O que poderá ocorrer é a inclusão de novos itens de sinistros nas apólices. Neste caso, o aumento teria que ser compatível com as novas coberturas e o pagamento de um prêmio maior”, afirmou Trombini. O seguro de automóvel é o mais vendido no Estado.

Trombini lembrou que se vier a ocorrer um aumento nos preços do seguro será para cobrir as indenizações às usinas, refinarias, estradas, casas e carros destruídos pelo terremoto, seguido do tsunami. As estimativas iniciais apontam que os prejuízos às segurados e resseguradoras podem ter chegado a US$ 35 bilhões.

“Com os prejuízos, grandes seguradoras e resseguradoras terão impacto negativo nos resultados, e o preço das apólices vai subir para as empresas recuperarem essas perdas”, diz Antônio Trindade, diretor executivo de seguros pessoas jurídicas da Itaú Seguros. O aumento dos preços, segundo ele, ficará mais claro dentro de três meses, quando os prejuízos no Japão estiverem melhor calculados pelas seguradoras.

O repasse para os preços terá influência também nas coberturas de grandes riscos no Brasil. Em geral, são as mesmas resseguradoras que garantem os riscos em todo o mundo. E são elas que terão perdas com a catástrofe japonesa. Quando uma seguradora faz uma apólice de grande risco e alto valor, a maior parte do risco é repassado às resseguradoras. As maiores resseguradoras do mundo já sentiram os efeitos da catástrofe.

SUSEP – A Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, não vê, em princípio, impacto imediato da tragédia ocorrida no Japão sobre os mercados segurador e ressegurador brasileiros. O diretor técnico da superintendência, Alexandre Penner, disse que, do mesmo modo, não vislumbra em curto prazo um movimento de recálculo dos riscos pelas seguradoras em todo o mundo.

“Eles vão avaliar o risco e ver se o prêmio que se cobra hoje é suficiente para fazer frente, por exemplo, a um risco nuclear”. Ele explicou que cada sinistro de grandes proporções leva seguradoras e resseguradoras a verificar quais são os efeitos do evento e se existe alguma consequência que não tenha sido levada em conta anteriormente. De uma forma geral, a maioria dos contratos de seguros exclui eventos catastróficos ou desastres naturais. Mas existe atualmente uma demanda dos segurados, em termos mundiais, para que se inclua esse tipo de cobertura nas apólices.

Fonte: Diário de Caiba.

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