27 jun

Com a crise europeia, empresas de seguros e resseguros redobram atenção na hora de fazer contratos com empresas ligadas aos países mais afetados, segundo executivos do setor. Como são garantidoras de riscos, essas empresas tendem a ser mais acionadas se governos e empresas não conseguem cumprir suas obrigações. Assim, em momentos como o atual, em que diversas economias europeias tem situações incertas, empresas como a Munich Re e a Allianz não pecam por falta de cautela. “De fato, existe uma preocupação muito grande”, afirma “Tânia Amaral, superintendente da área de Riscos Financeiros da resseguradora Munich Re do Brasil.

“Na Espanha, não fazemos mais seguro garantia. Aqui, analisamos caso a caso”, diz. A mesma preocupação foi manifestada por Edson Toguchi, superintendente de Produtos Financeiros e Responsabilidades da Allianz Seguros. Segundo ele, as incertezas em relação a diversas economias europeias são “um ponto de atenção no momento de subscrição do risco”.

Apesar de estarem mais atentos, os especialistas dizem que levam em conta em suas análises o fato de a economia brasileira estar bem. Segundo Toguchi, as filiais de empresas europeias instaladas no Brasil podem até contribuir para melhorar os resultados globais. “Aqui, não somente as indústrias de construção e de infraestrutura vão bem, mas também a automotiva está melhor”, completa.

Mercado de garantia deve dobrar em 2010

Os representantes da Munich Re e da Allianz participaram do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, organizado pela Allianz e realizado nesta terça-feira, em São Paulo. Os focos das discussões foram os microsseguros, aqueles que possuem apólices baratas, e o seguros garantia, modalidade que dá suporte a empresas comprometidas com grandes projetos, como uma construtora de um estádio, por exemplo. Para este último, a previsão de Toguchi é de que o mercado dobre este ano em relação ao ano passado. Em 2009, foram emitidos R$ 696 milhões em prêmios de seguros garantia no Brasil. Este ano, a soma é de R$ 226,7 milhões até abril, segundo levantamento da Allianz. Projetos relacionados à Copa do Mundo, às Olimpíadas e ao pré-sal , entre outros, devem ter forte contribuição, segundo os especialistas presentes no fórum

Edson Toguchi, da Allianz, diz que empresas européias merecem um ponto a mais de atenção para a análise de riscos

“O mercado brasileiro de garantias tem crescido muito nos últimos anos. Acredito que se essa tendência continuar, devemos atingir a média da América Latina em cerca de dois anos”, diz Tânia, da Munich Re. Atualmente, o mercado latino de seguro garantia corresponde a 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB) da região. No Brasil, a porcentagem atual é de 0,03%, abaixo de países como México (0,04%) e Argentina (0,05%). Altos investimentos em infraestrutura e a chegada de novos players no mercado – que devem explorar novos clientes – são citados por Tânia como fatores que devem contribuir para o crescimento.

Um dos grandes demandantes dos seguros garantia apontados durante o evento foi a Petrobras. Nesta semana, a estatal divulgou seu plano de investimentos, em que prevê US$ 212,3 bilhões no Brasil para os próximos cinco anos. Na opinião de Tânia e Toguchi, as companhias brasileiras atuantes têm capacidade para atender à demanda que está por vir e sustentar novas grandes obras de infraestrutura do Brasil. Ambos descartam aumentos de preços.

Tânia aponta também a possibilidade de crescimento não só em grandes projetos, como o da Petrobras, mas também em outros setores. “Hoje o mercado é muito concentrado em construção, mas acho que há oportunidades diferentes”, afirma.

Tânia Amaral, da Munich Re do Brasil, vê oportuniades para garantia não só em projetos de construção

Fonte: Olívia Alonso, iG São Paulo | 23/06/2010

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