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Apesar das motocicletas representarem 21,7% da frota de veículos do Paraná, esses veículos foram responsáveis, em 2009, por 49% de todas as indenizações pagas pelo Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). No mesmo ano, foram registradas 1.089 mortes e outros 7.395 casos de invalidez permanente. Para essas indenizações, o DPVAT destinou R$ 73,8 milhões ao Estado. O mais preocupante para especialistas é que de janeiro a junho de 2010, o valor pago já ultrapassa a metade do ano anterior. Nos seis primeiros meses de 2010, segundo o DPVAT, já foram pagos R$ 49,7 milhões em indenizações, registradas 535 mortes e 5.149 casos de invalidez permanente entre os motoqueiros no Paraná.

De acordo com o diretor de relações institucionais da Seguradora Líder dos Consórcios do Seguro DPVAT, José Márcio Norton, o verificado no Paraná segue a linha nacional. “Sabemos que 26% de toda frota nacional de veículos corresponde às motocicletas, índice semelhante no Paraná. No Brasil temos uma média de 17 milhões de motocicletas que, em 2009, foram responsáveis por 56% das indenizações”, diz.
Para Norton, falta cuidado dos motociclistas no trânsito. “Esse grande número de mortes e casos de invalidez é um grande absurdo. Vemos por trás desses números jovens que, em sua maioria, que utilizam esses veículos para trabalhar e até mesmo como principal fonte de renda da família. É preciso ter uma direção defensiva. Todos devemos estar imbuídos nisso, uma vez que começamos a conviver anualmente com o crescimento dessa categoria”, avaliou.

Para o jornalista J. Pedro Corrêa, autor do livro 20 Anos de Lições de Trânsito, o aumento excessivo de motocicletas em todo o País está diretamente ligado ao veto do artigo 56 do Código de Trânsito Brasileiro, que previa, em 1998, a proibição dos motociclistas circularem entre os carros, nos chamados corredores. “O veto desse artigo possibilitou o nascimento do fenômeno dos motociclistas no Brasil. A possibilidade de costurar o trânsito gerou uma maneira de sobrevivência no meio da barbaridade do trânsito brasileiro. O governo, no entanto, não conseguiu prever esse tipo de problema e as montadoras, por sua vez, viram uma boa oportunidade de crescimento”, afirma.

Além desse problema, Corrêa alia esse crescimento às características nacionais. “Somos um País sem educação, cultura e costumes de segurança no trânsito. A solução está num código que proíba tais comportamentos, aliado às fiscalizações mais intensas, treinamento e capacitação de todos os envolvidos no trânsito, não apenas os motociclistas. De um lado temos os motociclistas, sem cultura de segurança e capacitação, do outro o governo, que deixou de coibir excessos, bem como criar maneiras de evitar o que presenciamos atualmente”, afirma.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região (Sintramotos), Tito Mori, a falta de cuidado no trânsito existe em ambas as partes, tanto dos motofretistas quanto dos motoristas. “Porém, como a moto é a parte mais parte frágil, temos esse grande número de acidentes. As manobras de risco são feitas por impulso, na maioria das vezes motivadas pela pressa cobrada pelo serviço”, diz. Para evitar os acidentes, Mori explica que o Sintramotos está elaborando dois cursos para os profissionais. “Estamos trabalhando para oferecer, pelo menos até setembro, curso de qualificação de entregas e de prevenção de acidentes de trabalho no trânsito”, adianta.
Jovens são os que mais morrem

A proporção de mortes por acidentes com moto saltou de 11% para 23,8% de 2001 para 2008, em Curitiba, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
A informação está presente no estudo Perfil dos Acidentes de Transporte no Município de Curitiba, que apontou ainda que jovens entre 15 e 24 anos são os que mais morrem em acidentes de moto. “Em seguida está o grupo de 25 a 34 anos, que compreende uma faixa etária de jovens e adultos em idade produtiva”, ressaltou Karin Luhm, diretora do Centro de Epidemiologia da (SMS).

Apenas entre janeiro e maio deste ano, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) já registrou 1.296 acidentes envolvendo condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores em Curitiba. Esses acidentes ocasionaram ao menos 13 mortes (óbito no local) e deixaram outros 1.024 condutores com ferimentos. Segundo o soldado Gerson Teixeira, do BPTran, um Comitê de Trânsito formado por uma parceria entre o BPTran e a Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) já está trazendo soluções para evitar acidentes, principalmente envolvendo motociclistas. “O cruzamento entre a Marechal Floriano Peixoto com a Bley Zorning é um dos que mais ocorrem acidentes envolvendo motociclistas. Já estudamos a possibilidade de mudar aquela região, com o objetivo de tornar mais segura a passagem desses profissionais por ali”, diz. Teixeira afirma ainda que qualquer mudança, no entanto, “não será válida caso os motoristas e motociclistas não se respeitem no trânsito. É preciso ser prudente”, ressalta. (LC)
Detran-PR emitiu 55,9 mil carteiras

Ao longo de 2009, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) emitiu 55,9 mil carteiras de habilitação para motociclistas para todo o Estado. De janeiro a maio deste ano, esse número já ultrapassa 55,5 mil, sendo que 6,8 mil dessas carteiras foram emitidas apenas em Curitiba. A preocupação com a entrada desses motoristas nas ruas fez com que o sistema Sest/Senat (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), criasse um curso específico para motociclistas, denominado Qualificação para Motofretistas.

De acordo com Iraci Bilek Bara, coordenadora do Sest/Senat, o profissional que frequenta o curso volta com outra postura às ruas. “Conseguimos preparar um conteúdo que atende todas as necessidades do motofretista. Envolvemos relacionamento profissional, ética, postura no trânsito, pilotagem defensiva e até mesmo manutenção preventiva dos veículos”, explica Iraci.

Segundo ela, o curso pode ser feito em diferentes horários. São 20 horas aula com turmas à noite e fins de semana. “Sabemos que os motofretistas trabalham em diferentes horários. Por isso, estamos oferecendo esse curso à noite e durante o final de semana”, diz. Até então, três mil motofretistas já participaram do curso.
Serviço: As aulas são ministradas na sede do Sest/Senat, na Rua Salvador Ferrante, 1.440, no bairro Boqueirão. No próximo dia 27, o Sest/Senat terá o 1.º Seminário de Saúde, Segurança e Qualificação Profissional do Motofretista de Curitiba. Informações sobre o curso e o seminário através do telefone (41) 3022-7000. (LC)

Fonte:  Paraná On Line

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