28 jun

O crescimento do número de viagens de férias, turismo ou de negócios já se reflete no mercado de seguros. Nos quatro primeiros meses deste ano, a receita de prêmios apurada na carteira de seguros turísticos (ou de viagens) somou R$ 9,8 milhões, o que representou um aumento de 104,5% em relação ao primeiro quadrimestre de 2009. Segundo o diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Paulo dos Santos, esse desempenho é reflexo da recuperação do poder de compra da população e da maior consciência sobre a importância desse tipo de cobertura. Neste mês, a expectativa é de que a contratação do serviço cresça ainda mais. “Em julho, a comercialização do seguro viagem costuma aumentar em cerca de 10%”, estima o consultor da BarrosDeMoura & Associados e diretor da Associação Paulista dos Técnicos de Seguro (APTS), Carlos Antônio Barros de Moura.

Além do seguro turístico, há o residencial — outro tipo de cobertura que pode ser contratada para garantir tranquilidade durante as férias. No entanto, para ter certeza de que será amparado, reembolsado ou indenizado em caso de problemas, é preciso ficar atento às coberturas previstas na apólice e se elas estão de acordo com o seu perfil. “No seguro residencial, por exemplo, o valor pode dobrar caso exista a possibilidade de indenização por roubo e furtos de bens”, alerta Antônio Barros.

Em alguns contratos, a cobertura contra roubo abrange apenas o praticado com violência ou grave ameaça, e contra furto, só o qualificado — que deixa vestígios, como arrombamento e quebra de vidro etc —, e não o simples — quando o bem desaparece. Já para viagens internacionais, por exemplo, é importante o seguro turístico com reembolso para despesas médicas e hospitalares. No exterior, geralmente, os custos de serviços na área de saúde são muito caros e há países em que o sistema público só atende quem tem o cartão de benefícios do governo. A contratação do seguro viagem também é obrigatória para a entrada na maior parte dos países da União Europeia.

Em suas viagens internacionais, a servidora pública Fernanda Martins de Castro, 39 anos, sempre contrata o seguro viagem. “É uma segurança, principalmente nos casos de problemas de saúde, que no exterior são caríssimos. Na Austrália, eles exigem o pagamento de um seguro saúde do governo do país na hora da emissão do visto. Mas é um seguro muito básico, só para casos de atendimento de emergência. Então, quando eu fui para lá, eu contratei um outro adicional”, conta.

Regulamentação
Ela alerta que é preciso ficar atento às coberturas. “O seguro viagem para a Nova Zelândia — conhecida como capital mundial dos esportes radicais — não presta assistência para acidentes em decorrência da prática desses esportes. Caso o cliente queira, deverá pagar um adicional para os dias específicos em que pretende realizá-los”, ressalta Fernanda.

A comercialização dos dois seguros é regulamentada pela Susep. No caso do turístico, o serviço pode ser incluído no pacote de viagem ou adquirido por meio de um corretor ou de uma agência de turismo. Ele deve oferecer, no mínimo, as coberturas por morte acidental e/ou invalidez por acidente.

Após a entrega da documentação necessária para o reembolso das despesas, a seguradora terá prazo de 30 dias para pagar a indenização. Em caso de discordância, o caminho é a Justiça. “O segurado tem um ano para comunicar o sinistro à seguradora após a ocorrência do fato. Caso a empresa se negue a indenizá-lo, terá mais um ano para entrar na Justiça”, explica o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), Geraldo Tardin. Ele alerta aos consumidores para não se contentarem com uma simples negativa da empresa. “As seguradoras costumam incluir várias cláusulas excludentes, que, quando analisadas, são consideradas abusivas”, garante.

Não obrigatórias
As coberturas podem oferecer outras assistências, desde que estejam relacionadas com viagem, como perda de bagagem, reembolso de despesas por atraso na localização de malas, atraso de voo, cancelamento de viagem, retorno antecipado por doença do segurado ou familiar, morte de familiar, entre outros. O seguro residencial, por sua vez, protege, basicamente, o imóvel e seu conteúdo, na hipótese da ocorrência de acidentes ou quaisquer outros riscos como incêndio, queda de raios, pane elétrica, vazamentos etc.

Dicas
Verifique a regularidade da situação do corretor e da seguradora. Isso pode ser feito na página da Susep na internet (www.susep.gov.br).

Identifique, com o corretor, quais as coberturas que melhor se adaptam aos riscos dos quais deseja se proteger e os valores de importância segurada que melhor reflitam o seu interesse.

Observe a relação dos “riscos excluídos” e dos “bens não compreendidos na apólice”, verificando se representam uma significativa restrição aos seus interesses. Em caso afirmativo, verifique com o corretor a possibilidade de inclusão de coberturas específicas (adicionais) que cubram o risco/objeto desejado.
Leia atentamente as condições contratuais da apólice, verificando se, de fato, as coberturas e valores apresentados correspondem ao que pretende.

A contratação de seguro viagem deve ser opcional. Alguns países, no entanto, podem exigi-lo dos estrangeiros que pretendem ingressar em seu território.

Não é necessário adquirir o seguro turístico em seu pacote de viagem. Você tem a opção de comprá-lo à parte em outra agência ou direto com seu corretor de confiança.

Pesquise e opte pelo plano de melhor custo-benefício, ou seja, aquele que ofereça maiores coberturas pelos menores preços.

Serviço
Susep — 0800 0218484

Companhias notificadas
O tão comemorado aumento na venda de seguros de viagem pode não ter sido motivado apenas pelo crescimento do mercado turístico ou de negócios. O presidente do Ibedec, Geraldo Tardin, acredita que o segmento pode ter sido impulsionado pela venda de seguros viagens pelas companhias aéreas. A prática é permitida, desde que as empresas informem ao consumidor que o serviço é opcional. Dessa forma, a orientação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é de que, nas compras pela internet, a contratação do seguro realmente seja uma escolha do cliente, ou seja, não deve estar marcada automaticamente.

“No entanto, no início deste ano, verificou-se que as companhias induziam os consumidores mais distraídos a adquirirem o serviço pois a opção pela contratação do seguro estava marcada automaticamente nas vendas dos bilhetes pela internet”, lembra Gerado Tardin. Após receber denúncia do Ministério Público Federal, a Anac notificou a Gol, a Tam e a Azul e abriu processo administrativo contra as companhias, que ainda não foi concluído e pode resultar em multas. Na época, a Webjet não recebeu notificação e continua a ofertar automaticamente o serviço. O passageiro — se quiser ou estiver atento — é quem deve desmarcá-lo. Ao ter conhecimento da informação, a Anac garantiu que notificará a companhia. Já o Ibedec entrará com uma representação no Ministério Público do DF. Até o fechamento desta edição, a Webjet não enviou resposta ao Correio.

Fonte: Correio Brasiliense

Naiobe Quelem

Publicação: 28/06/2010 07:52

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