18 jan

Depois de o seguro de responsabilidade civil para diretores e conselheiros, conhecido como D&O, ter feito as empresas despertarem para a necessidade de oferecer proteções para seus principais executivos, as seguradoras atuantes no Brasil já se estruturam para disponibilizar outros produtos para este público.

Os holofotes agora apontam para a apólice que protege o executivo- chave de uma companhia (“keyman insurance”), em que a empresa é indenizada por conta de falecimento e ou invalidez total (por doença ou acidente) de seu principal profissional. Outra modalidade em destaque é a “buy and sell”, contratada para que sócios de uma empresa indenizem o herdeiro em caso de morte, sem ter de abrir espaço para sucessão na companhia. O nome em inglês para as apólices não é replicado ao acaso, já que elas são disseminadas nos Estados Unidos e nos últimos quatro anos começaram a ser usadas no Brasil com mais intensidade em 2011 – apesar de a expertise para o seguro estar disponível desde a década de 1980 no país. “Essas novas modalidades são tão importantes quanto a de responsabilidade civil e servem como complemento a esta apólice”, diz o superintendente de linhas financeiras da Zurich, Vinicius Jorge. A empresa é vice-líder no mercado de D&O, atrás do Itaú, e quer oferecer as demais apólices.

Esses seguros também estão na estratégia do grupo BB Mapfre, que apesar de já ter os produtos em prateleira vai este ano fazer um esforço de oferta junto à rede de agências do Banco do Brasil. “Estamos formatando um material para aumentar a exposição desses produtos”, diz o diretor-geral de seguros de pessoas, Bento Zanzini. Por conta desta iniciativa junto aos donos de contas jurídicas, a seguradora espera que este ano seja de maior crescimento para as modalidades.

Humberto Torloni Filho, diretor da Aon Hewitt do Brasil, sentiu no último ano uma maior procura pelo seguro para executivos- chave, com aumento de 30% nas cotações realizadas. “Temos cerca de 30 apólices, mas a demanda é crescente”. Isso porque, de acordo com ele, o crescimento econômico no país torna cada vez maior a disputa das empresas por capital intelectual. “O keyman é mais usado nas áreas de tecnologia da informação, óleo e gás e farmacêutica”, diz.

A indenização dada pela seguradora à empresa é normalmente usada para contratação de outro executivo no mercado. O valor da apólice, portanto, é determinado de acordo com a escassez do recurso em questão: o capital intelectual do executivo. “Não é levado em conta somente o salário, mas quanto custa para repor a pessoa e quanto ela conhece da empresa”, pondera Torloni Filho, que em 20 anos de atuação no mercado brasileiro presenciou apenas quatro casos de sinistros nessas apólices.

A Mongeral Aegon começou a oferecer o “keyman” no ano passado, em sua linha de produtos de valor mais elevado. “O seguro é feito pela empresa interessada e não tem limitação de formato”, afirma Leonardo Lourenço, superintendente de produtos da seguradora. A empresa pode contratar por tempo determinado ou então uma apólice vitalícia e normalmente o seguro está atrelado a um contrato de trabalho. “O produto vai de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões em capital segurado”, pondera. Embora ainda não tenha números sobre a nova linha, o executivo afirma que está sendo distribuída em escritórios do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, onde a demanda é maior, embora exista uma força de vendas em todo o país.

A seguradora também oferece o “buy and sell”. A escolha por trazer as modalidades ao Brasil estava atrelada ao movimento de crescimento da renda da população, que fez a empresa desenhar uma linha de produtos para a alta renda. Marckus Bass, da corretora de seguros Elle, conta que já tem 20 apólices na modalidade destinada a sócios, que tem apelo entre empresas de todo porte.

Desafios

De acordo com Zanzini, da BB Mapfre, as seguradoras enfrentam algumas dificuldades para disseminar ainda mais estes seguros direcionados a executivos. “Às vezes, a própria corretora de seguros não tem especialização para explicar sobre as modalidades quando a empresa pede”, afirma.

Outro empecilho é o fato de as empresas ainda não acordarem para a necessidade de uma apólice como essa. “O seguro é dirigido também para pequenas e médias empresas, que muitas vezes não possuem um grau de organização e um padrão cultural suficientes para a contratação. Isso porque o seguro vai implicar certamente em mudança no contrato social”, pondera.

Além disso, muitas vezes a companhia não está disposta a passar por todo o processo para a contratação, que exige uma série de documentos e exames do executivo.

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INOVAÇÃO NO ESCRITÓRIO

Área corporativa demanda soluções específicas dos seguros

GESTORES DE INVESTIMENTO

A Chartis criou um seguro para fundos de private equity e gestoras de investimento. A proteção combina coberturas diferentes na mesma apólice, além da inclusão de benefícios que só existiam no exterior e que foram adaptadas à realidade brasileira

SEGURO-SAÚDE PARA QUEM TRABALHA NO EXTERIOR

Desenvolvido pelo Aon, a proteção é destinada a trabalhadores que vão atuar em outros países e foi demandada por empreiteiras. Os seguros saúde existentes no Brasil não se adequavam à realidade de outros países (diferença nos custos e coberturas, por exemplo)

PENHORA NO D&O

As seguradoras que trabalham com D&O no Brasil oferecem, de forma complementar, uma proteção em caso de penhora dos bens do executivo. Ele receberá um adiantamento de valores para arcar com suas despesas no período do bloqueio dos bens

MULTAS NO D&O

Caso o executivo seja condenado a pagar uma multa para a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) por um processo administrativo, a cobertura dos seguros de D&O preveem o pagamento desses valores à autarquia. Esse benefício é exclusivo de seguradoras no Brasil

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Enquanto a Zurich planeja oferecer os chamados “keyman” e “buy and sell”, o grupo BB Mapfre vai fazer esforço de vendas na rede de agência do Banco do Brasil, de olho nas pequenas e médias empresas

Fonte: Brasil Econcômico.

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