17 jul

O síndico do prédio onde você mora ou trabalha é aquela pessoa conhecida de todos, com paciência infinita e que sempre arranja tempo para mediar conflitos e resolver pepinos? Pois saiba que essa figura deve deixar de existir em um futuro não muito distante. Empresas que cuidam de absolutamente todos os detalhes que envolvem o funcionamento de um condomínio, da limpeza ao pagamento de contas, estão tomando conta do mercado em todo o país. Em Brasília, existem pelo menos algumas dezenas delas. Além disso, é cada vez mais comum a figura do síndico profissional. Trata-se de alguém que não tem, necessariamente, um vínculo com o prédio a ser gerenciado e assume a tarefa de cuidar de toda a logística dele mediante uma comissão.

A profissionalização e a delegação da administração condominial são coisas tão sérias que, este ano, o Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) criou a primeira graduação em gestão de condomínios de que se tem notícia. Com duração de dois anos, o curso nasceu a pedido do Sindicato dos Condomínios Comerciais e Residenciais do Distrito Federal (Sindicondomínio-DF). Delegar a empresas alguns aspectos do gerenciamento da vida condominial não é novidade. A existência de empreendimentos especializados em cuidar da contabilidade, da vigilância ou da limpeza de conjuntos habitacionais ou comerciais data de pelo menos 30 anos.

No DF, há administradoras que estão há 20 anos no mercado. A diferença do passado para hoje é que a atividade de administrar um prédio ou conjunto de edificações, comerciais ou residenciais, vem tornando-se cada vez mais complexa. Outro aspecto é que o ritmo acelerado da vida moderna diminuiu o tempo disponível dos condôminos para se dedicarem com afinco aos interesses dos vizinhos. Tudo isso deu às empresas especializadas a oportunidade de ampliar o leque de serviços oferecidos. Se antes cuidavam apenas das contas ou somente da limpeza e manutenção, hoje vendem pacotes completos de gerenciamento.

A nova situação também abriu caminho para o entendimento de que o síndico precisa ser uma pessoa qualificada. “Hoje a gente tem empreendimentos residenciais de dimensões gigantescas. No Distrito Federal, por exemplo, Samambaia e Ceilândia têm complexos de prédios com parque aquático, espaço gourmet, academia. A manutenção de tudo isso por aquela pessoa leiga que tem um tempinho disponível é impensável. E essa pessoa existe cada vez menos nos dias de hoje. Muitos condomínios têm de lidar com o problema de que ninguém quer ser síndico”, pondera o administrador de empresas Carlos Aguiar, contratado para assumir as funções de síndico no centro de edifícios comerciais Vital Brasil, na 910 Sul.

Aguiar ingressou por acaso no mercado de síndicos profissionais. O administrador, que é dono de uma agência de turismo, era locatário de um espaço no Vital Brasil há alguns anos. Estava insatisfeito com o funcionamento das coisas e envolveu-se com a administração do lugar. Fez cursos de capacitação oferecidos pelo Sindicondomínio -DF e, por fim, já com seu negócio funcionando em outro espaço, começou a desenvolver a atividade paralela de gestor predial autônomo. Agora, planeja investir cada vez mais na nova carreira. Está interessado em uma pós-graduação lato sensu em Facilities Management (Gerenciamento de Facilidades, em tradução livre) oferecida pela Universidade de São Paulo. “É um curso voltado para coisas mais amplas do que a gestão de condomínios. Engloba a logística de hotéis, estádios de futebol e até autoestradas”, explica.

Custos

Por seus serviços como gestor do Vital Brasil, Carlos Aguiar cobra R$ 2,5 mil mensais. A taxa é o pro-labore do gestor condominial. “Faço gerenciamento de contratos com empresa de limpeza, de manutenção, de auditoria contábil. Estou sempre por perto e o trabalho é preventivo. Tem manutenção periódica de tudo. É diferente do condomínio tradicional, onde chama-se alguém para consertar depois que algo estraga. Uma das minhas atribuições é manter o empreendimento valorizado”, afirma. O administrador garante que, com a terceirização, a tendência é baratear e não encarecer a taxa de condomínio. “Há otimização de recursos, economia máxima e desperdício mínimo”, comenta.

Paulo César Guimarães, diretor-geral da Elite Service Administradora de Condomínios, confirma o que diz o gestor. A empresa de Guimarães gerencia 60 condomínios no DF, 90% deles residenciais.

Como Carlos Aguiar, a empresa faz uma ponte entre os condôminos e empresas prestadoras de serviço. De acordo com ele, o pacote via administradora sai cerca de 15% mais barato do que se o síndico fechasse os contratos um a um. “A gente faz todo o trabalho administrativo, o síndico acaba fazendo só a parte social e de atendimento aos condôminos”, explica. A empresa cobra um pro-labore que fica entre R$ 600 e R$ 2,5 mil dependendo do número de unidades habitacionais e tamanho do edifício a ser administrado.

Fonte : Correio Braziliense, 17/07/2010

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