17 jul

O seguro-fiança representa 29,7% das garantias usadas nos contratos de locação na cidade de São Paulo nos negócios assinados em abril, dez pontos porcentuais a mais do que em janeiro, segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP).

De acordo com o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, o aumento do seguro-fiança está relacionado à queda da oferta do fiador como garantidor dos contratos: de 47,6% no primeiro mês do ano para 45,3% em abril. Os depósitos também registraram uma queda. Passaram de 32,46% para 24,85% no mesmo período. “É cada vez mais difícil encontrar uma pessoa disposta a ser fiadora”, explica o diretor de Legislação do Inquilinato do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Jaques Bushatsky.

Na opinião do diretor do Secovi, o fiador ainda é responsável pela maioria dos contratos na capital por pura tradição. “Há dez anos o fiador respondia por 70% dos contratos e hoje caiu para cerca de 50%. Acredito que esse número diminua ainda mais”, afirma Bushatsky.

O gerente de produtos da Porto Seguro, Luiz Carlos Henrique, reforça a análise. “Os inquilinos não conhecem ninguém ou ficam constrangidos em pedir para uma pessoa ser sua fiadora. E o fiador também começou a ter mais noção do risco de perder seu patrimônio e acaba se recusando ou cria obstáculos. Por isso, o seguro é uma modalidade que está crescendo e se firmando como uma alternativa para garantir a locação”, conta ele.

Do lado dos proprietários, o seguro-fiança é a forma mais rápida de receber o valor devido. Se for necessária a realização de um leilão de imóveis ou veículos para o pagamento da dívida, por exemplo, o processo pode demorar até dois anos. No caso do seguro, o pagamento é imediato.

Com a dificuldade de se achar um fiador, resta ao inquilino dois caminhos: depósito ou seguro-fiança. A primeira envolve o pagamento adiantado de três aluguéis e muitas vezes o locatário não dispõe de todo o valor. Já o inconveniente do seguro é o preço. Conforme o presidente do Creci-SP, a apólice anual do seguro varia entre 1 a 1,5 aluguel. E mesmo com o aumento da procura, Viana não prevê queda nos preços.

Fonte : Jornal da tarde,  Gisele Tamamar

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