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Empresas devem se adaptar à entrada das classes C, D e E no mercado de crédito

29 out

Com a entrada das classes mais baixas no mercado de crédito, empresas dos mais variados segmentos estão realizando mudanças para se adaptar a esse novo consumidor. Devido às diferenças de mercado, alguns setores têm mais facilidade, enquanto outros enfrentam certas dificuldades para se adequar.
De 2003 a 2008, cerca de 32 milhões de brasileiros deixaram as classes D e E e ingressaram nas classes A, B e C, segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A necessidade das empresas se adaptarem a esses novos consumidores e as mudanças realizadas até agora foi tema de discussão nos dois painéis realizados no Crivo Group 2010 com executivos dos segmentos de varejo, finanças e seguros.
O painel de varejo, formado pelos diretores de crédito do Carrefour, Sandro Almeida, da Riachuelo, José Antonio Rodrigues, e da Casas Bahia, Paulo Santos, abordou o uso dos cartões private label nas redes de varejo. Para facilitar a entrada das classes C, D e E no mercado de crédito, as redes varejistas apostaram em cartões próprios. Entre as empresas participantes do painel do Crivo Group, essas classes sociais representam mais de 75% das vendas e a adesão a esses cartões por parte dos consumidores é grande. Na Riachuelo de Mossoró (RN), por exemplo, ele representa 90% das vendas, segundo José Antonio Rodrigues, diretor de crédito da varejista.
Apesar da adesão crescente das classes mais baixas, nos últimos anos o uso da função private caiu 23%, devido a um aumento de oito para 20% na utilização dos cartões bandeirados. A modalidade garante o uso do cartão na função private dentro da rede varejista emissora e de um cartão de crédito tradicional fora dela. Essa mudança levou empresas do setor a investirem em uma instituição financeira própria, como a Riachuelo, sinalizando uma tendência do mercado.
Quando o foco se tornou a taxa de juros dos cartões, os participantes do painel defenderam o cadastro positivo para que haja redução desta. Esse novo formato de cadastro permitirá identificar o perfil de consumo e pagamento de cada um de seus clientes.

Setor automotivo em foco
Enquanto as varejistas criam cartões específicos para conquistar esses consumidores, as seguradoras ainda estão buscando uma forma de adaptar seu produto a eles. Este foi um dos assuntos abordados durante o painel sobre as perspectivas de crescimento do país e seus desafios. Para discutir o assunto, estiveram reunidos o vice-presidente Executivo de Riscos de Crédito e Mercado do Grupo Santander, Oscar Rodriguez Herrero, o presidente da Volkswagen Serviços Financeiros, Décio Carbonari, e o diretor de Automóvel da HDI Seguros, Eduardo Stefanello Dal Ri.
O crescimento do setor automotivo, 15% acima da média mensal do mercado, que é de 4,5%, aqueceu o debate. Para os participantes, a queda do desemprego e o aumento da renda média da população justificam o crescimento do setor – de 1,5 a três vezes maior que o do PIB brasileiro.
O financiamento de automóveis para a classe C representa em torno de 20% do número de financiamentos da categoria, mas as seguradoras ainda encontram dificuldade para oferecer um serviço para as classes mais baixas. Segundo Dal Ri, as classes A e B são as que possuem seguro de automóvel, visto que, num geral, a classe C não tem um veículo segurável por diversos fatores, como o ano de fabricação.
No Brasil, o problema de roubo e furto representa entre 30 e 60% do valor do seguro, sendo que em grandes capitais o percentual é ainda mais alto. Para Dal Ri, este é um complicador da venda de seguro de automóveis para classes mais baixas, pois eleva o valor da cobertura, e ainda não é possível oferecer um produto mais barato. Embora este seja um desafio grande para as seguradoras, o Brasil está entrando nesse movimento por meio da criação de produtos específicos para classes com menor poder aquisitivo.
Com relação à taxa de juros do país, os executivos pontuaram que o Brasil está caminhando para uma convergência com os níveis mundiais. Isso refletirá nos juros de produtos, como o financiamento de automóvel, que hoje está em torno de 1,5%.
Os participantes do painel financeiro acreditam que em cinco anos chegaremos à mobilidade, quando usar um carro será mais importante do que ter um, já que este deve perder o sentido de investimento e proteção do dinheiro. Nesta fase, outros produtos ganharão força, como leasing na modalidade de uso sem pose (uma espécie de aluguel).

Fonte: Revista Apólice

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About the Author: Garra Seguros
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